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Notícia - Criada a Associação dos Intérpretes de Libras do RS
Criada a Associação dos Intérpretes de Libras do RS
Porto Alegre (RS) - No segundo Encontro Estadual dos Intérpretes da Língua de Sinais do Rio Grande do Sul, realizado em Porto Alegre nos dias 13, 14 e 15 de abril, foi criada a AGILS – Associação Gaúcha dos Intérpretes de Língua de Sinais. A associação tem por objetivo ajudar aos profissionais da área de tradução de Libras a se organizarem em torno dos interesses da classe.
A atividade de intérprete de Libras está em processo de legalização, conforme explica Vinícius Martins, um dos organizadores do encontro:
"Ela já é considerada uma profissão. Já tem uma lei, um decreto de 2005. Só que esse decreto tem 10 anos para passar a vigorar".
Vinícius trabalha como intérprete de aulas de Ensino Fundamental, na Feevale, e da graduação, na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra).
"É um trabalho que exige bastante estudo, bastante concentração e dedicação, porque tu tens que estar envolvido com conhecimento", garante. E, para ser um bom profissional, esclarece: "Tu tens que estar sempre em busca, sempre te aperfeiçoando, fazendo cursos. Nunca podes ficar parado".
Ricardo Morand Góes, um dos diretores da Federação Nacional de Educação e Inclusão de Surdos do Rio Grande do Sul (Feneis-RS), esteve presente no encontro e comentou sobre os problemas dos deficientes auditivos na sociedade:
"As pessoas enxergam muito as diferenças, como por exemplo, como é que um surdo pode entrar em uma empresa. O surdo tem capacidade, tem formação profissional, mas tem dificuldade de entrar". Ricardo é deficiente auditivo, e a intérprete Marlei de Azevedo fez a tradução da língua de sinais.
Para Ricardo, ainda há preconceitos:
"Por problemas familiares, por exemplo, preconceitos aparecem, quando nasce um bebê, e é uma surpresa quando se diagnostica uma surdez. E a família não sabe que esperança ter para o futuro deste filho. E então tem dificuldade de aceitar, e daí eles o colocam em uma escola inclusiva", relata.
Com a nova associação, é esperada uma maior inclusão dos deficientes.
"A Feneis estimula essa formação da associação, pra continuar a desenvolver o conhecimento da língua. Tem que continuar essas trocas, principalmente também com os surdos e com outras associações", sugere.
O Centro Municipal de Educação dos Trabalhadores (CMET) Paulo Freire, local onde foi realizado o evento, possui envolvimento particular com a causa dos deficientes. Na escola, foram abertas turmas de educação especial para surdos, numa luta que se iniciou no ano 2000. O sistema de ensino do centro também é diferenciado: a instrução é trabalhada com base nas totalidades de conhecimento, procurando incluir aqueles que estão fora do sistema normal de ensino. Os alunos pertencem a uma faixa etária a partir dos 14 anos.
"Houve um engajamento muito grande por parte dos profissionais da área da educação em abrigar essas turmas com surdos aqui, onde a gente está possibilitando o conhecimento e a cidadania", explica Marlei Tarragó, uma das orientadoras pedagógicas do centro. No CMET, o trabalho é desenvolvido para os deficientes que evadiram do sistema normal de ensino, por apresentarem dificuldades de aprendizado, ou para os que nunca tiveram contato com a Língua de Sinais. O aluno é formado integralmente no Ensino Fundamental, sendo capacitando para o Ensino Médio.
Marlei lembra também que encontros como o dos Intérpretes de Libras mostram a abertura da capital para a construção de novos conceitos. E ressalta: "Estar hoje com o encontro aqui só formaliza mais este engajamento que devemos ter com este profissional (o tradutor)”.
Enviado por Ícone Soluções Digitais em 21/05/2007
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